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Áreas de escape e Leis de Newton: como a física explica estrutura que segura caminhões desgovernados em rodovias do Paraná

Em Guaratuba, no litoral do Paraná, dois destes dispositivos de segurança estão instalados. Em 13 anos, as áreas ajudaram a salvar mais de mil vidas, de acordo com a Arteris Litoral Sul (ALS), concessionária que administra a estrada.

O professor Fabio Marcel Zanetti, do Departamento de Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que, pela Lei da Inércia, um caminhão acelerado só vai parar ao encontrar resistência suficiente.

Nas áreas de escape do Paraná, essa resistência está em toda a extensão do dispositivo, que é preenchido com argila expandida.

“A primeira lei diz que deve haver uma força para alterar o movimento de um certo corpo. No caso do veículo, normalmente, a força que faz com que ele pare é exercida pelo sistema de frenagem. No veículo em pane, sem freios, não existe essa força e então ele tem a tendência de continuar se movendo”, explica o professor Zanetti.

Nestas áreas, explica Zanetti, também opera a segunda Lei de Newton, que diz que a aceleração de um objeto é proporcional às forças que atuam sobre ele.

Segundo o professor, o funcionamento das áreas une o que as duas leis sinalizam: a primeira diz que é preciso força para o caminhão ser parado; a segunda explica como a caixa atua exercendo esta força.

“Aqui quem explica o funcionamento é a segunda Lei de Newton, que diz que uma força aplicada sobre certo corpo faz com que ele acelere no sentido da força. Quando o veículo entra nestas caixas, ele afunda na argila, o que gera uma força de atrito muito grande no sentido contrário do movimento, produzindo desaceleração e fazendo ele parar.”

Caminhões usam área de escape quando estão em pane ou perdem os freios — Foto: Arteris Litoral Sul

Locais estratégicos

Áreas de escape em rodovias do PR: como funcionam e por que veículos param ao entrar nelas

Áreas de escape em rodovias do PR: como funcionam e por que veículos param ao entrar nelas

Na BR-376, as áreas de escape estão instaladas na lateral esquerda da rodovia. De acordo a concessionária, os locais foram escolhidos a partir de estudos que mostraram que, quando um motorista perde os freios na região, tende a procurar a pista rápida, da esquerda.

Depois que um veículo entra no espaço, o tempo que a concessionária leva para a área funcional de novo varia de caso para caso.

Na área de escape criada em 2019, por exemplo, o dispositivo é mais moderno e conta com apoio de aparelhos que facilitam a remoção de cargas e de veículos, o que permite que o espaço fique funcional mais rapidamente, em cerca de duas horas.

A concessionária faz estudos, atualmente, para modernizar a área de escape criada em 2011 e fazer com que ela também volte a funcionar de maneira mais ágil.

Na BR-376, áreas de escape costumam ser utilizadas por caminhões que perdem os freios — Foto: ALS

Sistema de segurança de funcionamento simples

Na BR-376, a Arteris Litoral Sul, que administra o trecho, afirma que as áreas de escape são preenchidas com cinasita, uma argila expandida comum na jardinagem.

Tudo funciona de maneira simples, como explicou o engenheiro José Júnior. Nas duas áreas, são utilizados 780 metros cúbicos e argila expandida do material e 250m³ de manta geotêxtil.

“O dispositivo é preenchido com argila expandida, muito comum em vasos de jardim, que são esferas de terra. Essa quantidade que tem depositada nessa caixa permite a desaceleração do veículo em movimento. Ela vai preenchendo os espaços vazios que há entro o assoalho do veículo e o próprio pavimento, de uma forma que ela desacelera o veículo e faz ele parar em segurança.”

Os dispositivos foram criados em 2011 e 2019, respectivamente, e estão nos quilômetros 671 e 667 da rodovia, em regiões de curva. A ALS explica que, desde que começaram a funcionar, ajudaram a salvar 1.023 vidas a partir de 579 entradas.

Segundo Júnior, quando um veículo entra no dispositivo e começa a perder velocidade, a distância percorrida por ele vai variar de acordo com a velocidade que ele estiver, além do peso que possuir.

“Poderíamos ter escolhido outros materiais. Outras áreas usam cabos de aço, areia, granulado maior, mas nós escolhemos a argila expandida para não danificar tanto o veículo e ser mais fácil devolver a área de escape em operação novamente.”

⚠️ Veja tamanho das áreas de escape na BR-376:

  • 🚛 Dispositivo do km 671: 240 metros
  • 🚛 Dispositivo do km 667: 150 metros

BR-376, na região de Guaratuba, contam com duas áreas de escape. A mais nova, criada em 2019, conta com aparelhos que facilitam remoção de veículos — Foto: Arteris Litoral Sul

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