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Gravação da série DNA do Crime da Netflix bloqueia rodovia no oeste do Paraná

Segundo o departamento, os locais ficarão fechados pelo menos até as 18h30 desta terça (18). Este é o quarto bloqueio da via em uma semana para filmagens do seriado inspirado no mega-assalto à transportadora de valores Prosegur, em Cidade do Leste, no Paraguai, em 2017. Relembre mais abaixo.

Segundo o DER, o pedido de bloqueio foi feito pela produtora da série, respeitando as normas vigentes.

Os locais estão com sinalização e desvios, o que não interfere na passagem de veículos pela região. Pelo menos 300 profissionais de diversos setores participam das gravações nesta terça (18).

Mega-assalto à transportadora do Paraguai inspirou série

Transportadora de valores em Ciudad del Este fica a 4 quilômetros da Ponte da Amizade, na fronteira com Foz do Iguaçu — Foto: Editoria de Arte/G1

Um mega-assalto à transportadora de valores Prosegur, em Cidade do Leste, no Paraguai, em 2017 inspirou a série DNA do Crime que estreou em novembro de 2023 na Netflix.

O crime ocorreu na madrugada de 24 de abril de 2017. Mais de 40 assaltantes participaram do roubo que totalizou mais de US$ 11,7 milhões – o equivalente a R$ 40 milhões à época – da transportadora de valores.

Explosivos foram usados para arrombar o cofre da empresa, que fica a cerca de quatro quilômetros da Ponte Internacional da Amizade, na fronteira com Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. A ação durou mais de três horas. Veja a localização da empresa em relação à Foz do Iguaçu no mapa acima.

Troca de tiros entre suspeito e policiais

Na troca de tiros, um policial que fazia segurança particular à transportadora foi morto. Na fuga, vários carros blindados usados pela quadrilha foram abandonados.

Ainda segundo a polícia, parte dos suspeitos cruzou a fronteira pelo Lago de Itaipu e se dividiu por municípios brasileiros de fronteira, como Itaipulândia e São Miguel do Iguaçu, onde houve confrontos.

Durante a fuga, os ladrões espalharam “miguelitos” – espécie de tachas de metal usadas para furar pneus de veículos – para impedir que fossem seguidos pela polícia e incendiaram ao menos 13 veículos. Eles também abandonaram cinco caminhonetes blindadas, todas com placas de SP.

Três suspeitos morreram e 15 foram presos também em Cascavel, Foz do Iguaçu e Guaíra.

Na época, foram apreendidos explosivos e armas de vários calibres, como fuzis, e recuperados R$ 4,5 milhões em cédulas de real, guarani e dólar.

Confira horário e como agiram os criminosos no mega-assalto:

Mega-assalto no Paraguai — Foto: Editoria de Arte/G1

Mansão foi usada antes de mega-assalto

Parte dos suspeitos envolvidos no mega-assalto usaram uma mansão em Ciudad del Este, mesmo município da ação. A casa funcionava como base estratégica da quadrilha no país vizinho, segundo a PF.

As investigações conjuntas entre a Polícia Nacional paraguaia e a PF, batizada de Operação Resposta Integrada, indicaram que o maior assalto da história do país vizinho foi praticado por membros de uma facção criminosa brasileira.

Os brasileiros, segundo a investigação, tiveram apoio dos paraguaios, com um arsenal que superou a capacidade de resposta da Polícia Nacional.

Uma perícia realizada na casa em Ciudad del Este, usada pelo grupo por cerca de 30 dias até o dia do assalto, e exames de DNA identificaram cerca de 30 perfis genéticos.

De acordo com a investigação, alguns tinham registro no banco de dados genéticos da polícia e participação em outros crimes no Brasil como roubos a bancos e a empresas de valores.

Pesquisas genéticas ajudam a desvendar o maior assalto da história do Paraguai — Foto: Reprodução

A atuação da perícia criminal da Polícia Federal venceu o prêmio “DNA Hit Of The Year” 2020, um dos mais importantes concursos internacionais para a área de genética forense, que é o uso da genética em investigações criminais.

Por meio do confronto de dados do Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), a perícia federal ajudou a identificar e a condenar alguns dos responsáveis pelo assalto à sede da transportadora de valores no Paraguai.

A premiação atribuiu o caso “emblemático” de uso dos bancos de dados de DNA para a resolução e prevenção de crimes. Esta foi a primeira vez que uma equipe brasileira recebeu o prêmio.

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