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Moda sustentável: startup de Ponta Grossa usa fungos para transformar resíduos em biotecido

Alternativa ecológica ao couro utiliza materiais descartados da agroindústria para criar biotecidos duráveis e sustentáveis a partir do cogumelo.


Startup de Ponta Grossa desenvolve biotecido a partir de cogumelo

Startup de Ponta Grossa desenvolve biotecido a partir de cogumelo

Uma startup de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, criou uma alternativa ecológica ao couro com a ajuda de fungos como o cogumelo. O material pode ser usado em diversos produtos, como calçados, acessórios e componentes automotivos.

A inovação aproveita resíduos descartados da agroindústria para criar biotecidos duráveis e sustentáveis, oferecendo uma opção para substituir o couro animal ou sintético, ao mesmo tempo em que promove o reaproveitamento de materiais descartados. Assista ao vídeo acima.

Segundo Ubiratan Sá, um dos fundadores da startup, o processo extrai uma parte do cogumelo chamada micélio, a parte vegetativa do fungo composta por uma rede de filamentos finos e entrelaçados chamados hifas. Essa estrutura ramificada e emaranhada é utilizada para criar o tecido sustentável.

A produção do biotecido leva cerca de 22 dias, sendo 15 para o crescimento e mais 7 para o tratamento final. No processo, o fungo funciona como uma cola natural.

“A gente tirou da natureza duas coisas: os fungos e os materiais que vêm da atividade da agricultura, como o pó de serra, casca de arroz, bagaço de cana, bagaço de milho. A gente deixa primeiro isso completamente estéril para não ter nenhuma outra coisa e coloca os fungos dentro dele e ele se alimenta daquele material, como acontece na natureza. Quando a gente vê um cogumelo na natureza, ele está crescendo em cima de um material orgânico. E nós fazemos isso aqui de maneira controlada”, explica Ubiratan.

Fungos como o cogumelo viram biotecido — Foto: RPC

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🧫 Como é processo de fabricação 🍄

  • 🫧 Em uma primeira etapa, os resíduos são misturados com água em uma betoneira, pesados e embalados para esterilização;
  • 🌡️ Em seguida, são levados para uma autoclave, onde permanecem por uma hora e meia a 120ºC;
  • 🧫 Após esse processo, os substratos são transferidos para salas de inoculação onde são adicionados o fungo (cogumelo), que se desenvolve formando uma camada semelhante à pele sobre os resíduos;
  • 🖐️ Posteriormente o material vai para a sala de crescimento e depois retorna à sala de inoculação para extrair a pele já pronta num período de 12 a 18 dias;
  • 📤 A bandeja com o resíduo é devolvida para a sala de crescimento, onde passa pela formação da segunda pele, que normalmente cresce em 7 a 10 dias;
  • 👜 Saindo de lá, ela vai para o tratamento, para moldagem e etapa final do produto.

Biotecido é maleável e pode virar roupas, peças de decoração e revestimentos, por exemplo — Foto: RPC

🔍 Impacto ambiental e perspectivas futuras 🌳

A ideia de criar o biotecido surgiu da observação de movimentos internacionais e da demanda crescente por alternativas ao couro de origem animal e fóssil.

Os produtos feitos com biotecido são notáveis pela versatilidade e pelo toque semelhante ao couro animal, sem os impactos negativos associados à produção.

A decomposição do biotecido, ainda em estudo, é projetada para ser rápida e segura para o meio ambiente, reforçando seu caráter ecológico.

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